Home Data de criação : 07/12/12 Última atualização : 08/10/24 13:26 / 282 Artigos publicados
 

[Especial Lançamentos] Oasis: Dig Out Your Soul  escrito em terça 21 outubro 2008 14:32

 

 

O que vale dizer: quem já não gostava do Oasis vai continuar tachando a banda de cópia barata dos Beatles, e quem já gostava não terá maiores motivos para enjoar da fórmula. Porque, vamos combinar, Dig Out Your Soul segue à risca a receita de álbum do Oasis. A vantagem é que, assim como em Don't Believe the Truth, a receita está bem feitinha. Ou quase: a capa é das coisas mais horrorosas já vistas em um disco.

O disco abre com uma faixa mais pesada, "Bag It Up", e depois alterna homenagens à psicodelia sessentista ("Falling Down", "To Be Where There's Life") com baladinhas redondas ("I'm Outta Time") e rocks inofensivos ("The Shock of the Lightning", "Ain't Got Nothin'"). Ou seja, nada muito diverso do que o grupo vem fazendo há anos e anos.

Para não dizer que é mais do mesmo, é possível captar algumas (levíssimas) influências de hard rock e glam rock dos anos 70 aqui e ali. Isso é perceptível especialmente em "The Nature of Reality" e "Waiting for the Rapture". Mas não se trata de nada que descaracterize o som (ou a fórmula, diriam os detratores) da banda.

O primeiro álbum do Oasis, Definitively Maybe, saiu em 1994. Aquele que é considerado a obra-prima do grupo, (What's the Story) Morning Glory, acaba de completar 13 anos. Desde então, tudo o que os irmãos Noel e Liam Gallagher vêm fazendo é tentar repetir o sucesso destes dois discos. O disco anterior a este, Don't Believe the Truth, foi talvez a melhor tentativa. Este Dig Out Your Soul vai pelo mesmo caminho.
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[Especial Lançamentos] Kings of Leon: Only By The Night  escrito em terça 21 outubro 2008 14:32

 

 

Para o bem ou para o mal, o Kings Of Leon hoje soa quase nada como a banda surgida no começo dos anos 2000 como uma "resposta sulista aos Strokes". Os fãs atentos vão perceber que se tratou de uma questão de sobrevivência. A crítica que incensou os rapazes na estréia quase simplória, Youth And Young Manhood, foi a mesma que em seguida os preteriu em nome de grupos de maior credibilidade "southern", como My Morning Jacket e Drive-By Truckers. No seu segundo disco, Aha Shake Heartbkeak, flertaram com o power pop (naquele que é seu melhor single até hoje, "The Bucket") e acrescentaram algum tempero pós-punk, sem deixar de lado suas inflexões musicais mais peculiares, como o sotaque dos antigos estados confederados e suas barbas/bigodes estilo Antigo Testamento. Em Because of the Times ocorreu a primeira mudança significativa, ao incorporarem acenos discretos ao indie rock (às vezes nem tão discretos: "Charmer" é possivelmente o momento mais Pixies ao qual uma banda de grande porte chegou desde o Nirvana). Em entrevistas, os rapazes não desapontaram seus fãs e deixaram claro que, sim, abusaram de drogas e sexo, e que a banda quase se desintegrou por isso.
 
A sonoridade dos irmãos Followill nunca soou tão pronta para ecoar em um estádio como em Only By The Night, seu quarto disco, e tal mudança lhes cai bem. "Closer", a música de abertura, modula tanto em letra ("A sensação é tão boa, mas me sinto velho / 2000 anos de busca cobrando seu preço") quanto em sonoridade o tom sombrio e climático que se segue em outras dez faixas: solos e efeitos espaciais de guitarra, texturas eletrônicas abundantes, um tom atmosférico e denso que ainda assim mira no populismo. O disco tem lá sua cota de deslizes: "Use Somebody" parece ter tanta vontade de soar como U2 que resvala no Coldplay em seus instantes iniciais (atenção aos "Oh-oh-oahs" que acompanham o refrão, parecendo saídos direto de Viva La Vida).

Uma das principais pechas negativas associadas aos rapazes é sua previsibilidade, ahm, poética. E, realmente, Only... parece se esforçar apenas pela metade para dissipar essa noção: apesar da transformação sonora, referências à reputação de "rodo" dos rapazes do grupo não poderiam faltar, e eis que comparece "17" ("Oh, ela tem só dezessete anos"). Vulgaridade sempre foi um ponto importante na sonoridade da banda, e "Sex on Fire" é, apropriadamente, uma das melhores do álbum.
 
Only By The Night é um belo disco, embora tudo aponte para uma inevitável troca de público no que se refere à massa de fãs da banda, e embora os momentos reflexivos sejam imersos no tipo de culpa semi-adolescente que faz feministas espumarem de ódio.

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[Especial Lançamentos] Bloc Party: Intimacy  escrito em terça 21 outubro 2008 14:32

 
Um coral seguido por riffs de guitarra que soam como sirenes e uma batida que lembra o Prodigy ou o Chemical Brothers. É assim, e com vocal quase falado, que o Bloc Party abre Intimacy, seu terceiro disco, evocando “Ares”, o deus romano da guerra. Um pequeno e etéreo interlúdio torna a música quase interessante, mas volta o clima clubber, de batidas fortes... “Mercury” mantém referencia a divindades (agora, o deus mensageiro) e o clima eletrônico, dançante.

“Halo” (a auréola) vem mais roqueira e rápida, lembrando um pouco a estreia da banda, Silent Alarm (2005), assim como “One Month Off” e “Trojan Horse”, que alia ao clima de dança os experimentalismos cacofônicos e a pungência de guitarras pós-punk. “Better than Heaven”, climática e também dançante, avança um pouco nessa linha, mais soturna e explodindo num grande caos de guitarras no final.

Intimacy também revive momentos de A Weekend in the City (2007), como em “Biko”, mais tranquila, com vocal suave e linha de guitarra quase monótona por boa parte da canção, até entrarem baixo e batidas quebradas, numa espécie de “pós-trip hop”. Ou na bonita “Signs”, em que a delicadeza do metalofone e teclados, mais as cordas dando alguma dramaticidade à canção, fazem tudo soar como uma caixinha de música pós-moderna.

É um pouco confuso entender o caminho que o Bloc Party escolheu percorrer por aqui. Há um pouco de tudo que já fizeram, com a eletrônica ganhando mais espaço. Se em seu segundo disco Kele Okereke usou citações do escritor Bret Easton Ellis para tecer críticas sociais, aqui está mais intimista, inspirado pelo fim de um relacionamento e referenciando escritores como William Blake e e.e. cummings (cujo poema “I Carry Your Heart with Me” é citado na orquestração eletrônica que encerra o disco, “Ion Square”).

A faixa que mais chama atenção, entretanto, é a mais esquisita: “Zepherus” com backing vocal de coral suave, como que gravado numa igreja medieval, ecoando sob uma batida quebrada e forte, enquanto Okereke canta a eterna guerra, sem vencedores, que é amar. Fazer bobagem, deixar de ser amado e, ainda assim, acreditar na força do amor.

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[Especial Lançamentos] Metallica: Death Magnetic  escrito em terça 21 outubro 2008 14:32

 
"Retconing" (algo como "retificação de continuidade") é um termo da língua inglesa utilizado por roteiristas para explicar mudanças de contexto e intervenções estilo "deus ex machina" necessárias para reverter histórias mal aceitas pelo público na vida de personagens ficcionais. A estratégia dos quatro sujeitos do Metallica em seu novo disco parece ter sido exatamente essa: zerar a continuidade de sua carreira até o ponto em que tudo começou a dar errado, desfazendo-se de uma imagem negativa que com o passar dos anos inchou feito um balão preto com caveiras punks rabiscadas em sua superfície. Trocando em miudos, a existência de Death Magnetic se traduz na negação de toda carreira da banda pós-Black Album (incluindo o desmoralizante documentário Some Kind of Monster) em favor de uma retomada da brutalidade e das demonstrações de técnica que tornaram o grupo famoso num mundo pré-reality shows.
 
É como se Load e Reload (onde a banda parecia flertar com a ideia de uma versão metal para Achtung Baby, do U2) e, sobretudo, o desastre metroviário em forma de música St. Anger (onde tentaram a mão no nu-metal, com resultado deveras canhestro) nunca tivessem existido. O que, numa análise prática, é ótima notícia para os fãs. O produtor de longa data, Bob Rock, apontado como o arquiteto da guinada do Metallica no começo dos anos 90, foi preterido dessa vez por outro nome conhecido dos fãs de metal. Rick Rubin empresta ao disco seu estilo - produção não exatamente minimalista, mas dotada de uma crueza onde cada instrumento parece mirar na jugular - com resultado bastante notável. Trata-se do sujeito responsável por reviver artistas caidos em esquecimento (como Johnny Cash; como o Metallica) e, sobretudo, por ter produzido um dos grandes clássicos do metal moderno: Reign In Blood, do Slayer.

Death Magnetic sabiamente soterra todos seus vagos toques de modernidade sob uma barragem de riffs perversos e baterias no limiar do hardcore - não por coincidência, elementos vitais naquele que é considerado o grande disco da banda pré-sucesso comercial, Master Of Puppets. Os fãs (ou, a esta altura dos acontecimentos, ex-fãs) que derem uma chance a Death Magnetic podem se surpreender ao constatar que se trata de um disco de metal à moda antiga, com pelo menos um épico prog-trash (a instrumental "Suicide & Redemption"), e do tipo que mantém sua cota de baladas sobre rígido controle (são duas: "The Day That Never Comes", que se transmuta em um speed metal incansável, e "The Unforgiven III", emoldurada por piano discreto, e que soa um bocado como Stone Temple Pilots).

Imperfeito, mas de algum modo mais nobre por isso, o novo Metallica soa um bocado como o velho Metallica, aquele cujo som vinha sendo emulado até mesmo por bandas indies com mais convicção do que seus próprios criadores. Uma das bandas mais influentes da história do metal zerando a franquia: chocante, mas extremamente 2008.

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Cobertura VMB 2008  escrito em sexta 03 outubro 2008 14:03

O nome mais aguardado do VMB 2008 foi justamente o responsável pela maior decepção da cerimônia. A banda britânica Bloc Party, que deveria fazer o principal show da noite, não tocou: fez playback. Na primeira música, "Talons", o truque até passou. Mas, na segunda (o sucesso "Banquet"), a dublagem revoltou o público, que vaiou em alto e bom som.

O vocalista Kele Okereke até que tentou disfarçar, correndo em meio ao público e depois se escondendo atrás da bateria. Mas não houve jeito: a banda deixou uma péssima impressão. Principalmente para quem tem dois shows agendados no país para daqui a um mês, em São Paulo (08/11) e Rio de Janeiro (10/11).

O fiasco do Bloc Party acabou rendendo a única boa piada da noite: ao final da performance, o apresentador Marcos Mion soltou um "quem sabe faz ao vivo".

A tradicional banda dos sonhos também deu o que falar. Este ano, a escolha ficou a cargo de músicos presentes no Credicard Hall, onde a festa foi realizada, e não do público. Portanto, os vencedores não foram os usuais Pitty, Japinha, Champignon e Fabricio Martinelli das edições anteriores.

O grupo foi formado por João Barone (bateria) e Bi Ribeiro (baixo), ambos do Paralamas do Sucesso, mais Marcelo D2 como vocalista e um improvável Chimbinha, da banda Calypso, na guitarra. A música improvisada pelo quarteto agradou o público.

O grande vencedor já foi se desenhando logo no primeiro prêmio da noite. O NX Zero derrotou nomes como Cansei de Ser Sexy, Nação Zumbi, O Rappa e Bonde do Rolê e levou a estatueta de melhor videoclipe do ano, com "Pela Última Vez". O grupo ainda ganhou nas categorias hit do ano (também por "Pela Última Vez") e artista do ano.

Os demais prêmios foram divididos entre Pitty (melhor show), Strike (revelação), Garotas Suecas (aposta MTV) e a banda americana Paramore (artista internacional), que vem ao Brasil no final do mês para uma série de shows.

O primeiro show da noite foi do californiano Ben Harper. Acompanhado da competente banda Innocent Criminals, o cantor primeiro interpretou a música "In the COlors" e, em seguida, cantou "Boa Sorte/Good Luck" junto com Vanessa da Mata. Como os dois recentemente cantaram juntos em alguns shows na Europa, o dueto saiu bem entrosado e foi um dos momentos mais aplaudidos da noite.

Depois, foi a vez do VMB receber mais um show de uma de suas figuras mais constantes, Marcelo D2. De visual novo (chapéu, óculos escuros e sem barba), ele cantou a música "Desabafo" e flertou com a polêmica ao acender um cigarro de palha. A julgar pela reação vinda da platéia, o público achou que fosse outra coisa.

A terceira atração da festa foi o Nove Mil Anjos - ou a banda do irmão da Sandy, como é mais conhecida. Formado por Junior Lima na bateria, Champignon no baixo, Peu Souza na guitarra e Péricles Carpigiani nos vocais, o grupo foi introduzido no palco pela própria Sandy. O som, uma espécie de Charlie Brown Júnior (ex-banda de Champignon) repaginado, não impressionou em sua primeira aparição na TV.

Coube ao Bonde do Rolê fazer a primeira performance depois do playback do Bloc Party. Com suas novas vocalistas, Ana Bernardino e Laura Taylor, o grupo de Curitiba apresentou um medley de seus sucessos "Solta o Frango" e "Office Boy" com uma bizarra versão em português de "One More Time", do Daft Punk. Diversão pura.

A penúltima apresentação da noite reuniu Pitty com a banda Cascadura, para cantar a música "Inside the Beer Bottle", da finada banda baiana Úteros em Fúria, com direito a citação de "Hey Jude", dos Beatles.

A festa terminou com Fresno e Chitãozinho e Xororó. Introduzidos no palco por Joelma e Chimbinha, da banda Calypson, grupo e dupla repetiram (de forma desajeitada, é verdade) o dueto feito no Estúdio Coca Cola e cantaram "Evidências".

Veja abaixo a lista de vencedores do VMB 2008:

Artista do ano
NX Zero

Hit do ano
NX Zero, "Pela Última Vez"

Melhor clipe
NX Zero, "Pela Última Vez"

Melhor show
Pitty

Melhor artista internacional
Paramore

Revelação
Strike

Aposta MTV
Garotas Suecas

Webhit do ano
Dança do Quadrado

Banda dos Sonhos
João Barone (bateria)
Bi Ribeiro (baixo)
Chimbinha (guitarra)
Marcelo D2 (vocalista)

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